sábado, 5 de junho de 2010

Dê mais qualidade ou Qualidade demais ?

Taí um conflito diário das áreas de criação e produtos, quando as coisas começam a apertar nos negócios e as metas não acontecem, as reuniões muitas vezes deixam de ser para avaliar resultados ou apresentar propostas e passam a ser sessões de culpado novo. Ou seja, o pobre coagido a alcançar as metas conseguiu uma resposta capaz de tirá-lo da cruz !!! Quem já assistiu ou protagonizou uma dessas ?

Muito bem, os resultados do negócio podem ir bem ou mal de acordo com uma série de componentes do mercado e da economia, entre elas sempre estarão a capacidade de pagamento do consumidor, e aí reside o problema.

Primeiro cenário;
Quem não tem disponibilidade para comprar seu produto, pode revisar as contas e passar a priorizar algum dinheiro para lhe ajudar a bater a meta de vendas, mas para isto o seu produto necessita ser extremamente desejável, sem substituto, necessita haver uma identidade entre produto e consumidor quase de cúmplices, enfim tem que ser diferenciado mesmo.
Aquilo que tornará seu produto diferenciado e priorizado para o cliente é a qualidade percebida por ele (cliente), esta é a única qualidade pela qual pagará um pouco dos seus parcos recursos. Mas poderá pagar. Lembra das pequenas indulgências ? Seu cliente deverá pensar “Já passo um sufoco danado, trabalho pra caramba, mereço este dengo”. Pronto !!! Tomou o restinho do limite do banco que ele tinha.
Isto é uma maldade comercial. Você agora está obrigado a entregar a ele, algo que realmente justifique o ato passional.
Não deixe apenas por conta do cliente a decisão de determinar o que ele considera como qualidade percebida. Você é que do Marketing, e é sua a obrigação de criar valor para o cliente, gerar demanda, criar e desenvolver hábitos de consumo. Mas comece com a ajuda dele (cliente). Pesquisa de satisfação, provas de degustação existem para isto, e agora a tendência é a cocriação de produtos ou serviços. Deixe ele opinar, configurar o produto. Que tal ter estagiários de desenvolvimento de produtos de graça e ainda pagando por isto ?
Existe um conceito que gosto muito que é o de adequação ao uso, dele você chega ao padrão de qualidade que necessita entregar ao seu cliente sem deixar seu produto com cara de arroz. Isto define sua base de produto, os acessórios recomendo interagir com o cliente e complementar com o que ele valoriza.

Muitas vezes a oferta de qualidade demais, que não será aproveitada ou não é percebida pelo cliente, só carrega o custo do seu produto, reduzindo as margens e tornando-o menos competitivo.

Segundo cenário;
Quem tem pouco ou muito de dinheiro sobrando para o consumo, não é presa mais fácil para as empresas, ao contrário, eu considero um alvo mais exigente e muito importante.
Inicialmente este público alvo é composto por uma população menor, logo vc deve focar em produtos com margem agregada maior pois os ganhos em escala não serão facilmente viabilizados. Também por que cliente disposto a pagar o prêmio sobre preço espera produtos diferenciados e mais exclusivos. Cuidado para não entender produtos exóticos !
Este cliente gosta mesmo é a da novidade, do top de linha, e o marketing não poderá dormir um dia sequer sem pensar em algo de inovador e criativo para ele. Sempre a novidade deve fazer sentido na vida do consumidor, e isto complica mais um pouco a vida dos desenvolvedores de produtos.
Por que eu pagaria mais por um Macbook em lugar de um PC notebook ?
• Pela beleza dos Mac ? Beleza é abstrato, depende de quem vê.
• Pela macã iluminada ? E se virar um pepino ?
• Pelo sistema é mais seguro ? Isto já é mais coerente !
• Pela caráter de mais exclusividade ? E qd quebrar ? Pouca gente tem. E a integração ? Ninguém que ser ou fora da tribo.
Acho que existem várias respostas, mas uma delas eu considero bem ajustada.
Eu pagaria mais por um Macbook por que ele me trouxe algo que eu buscava e não encontrei em outro note. Isto é Diferenciação ! Ou por que ele me trouxe algo muito interessante que eu não conhecia. Isto é Inovação !

Diferenciação + Inovação = Qualidade Percebida = Criação de demanda

Alerta. Tudo que for ofertado para este público agora, irá se transformar em necessidade básica para o público anterior em pouco tempo. Então nunca deixe de pensar em planejar seu negócio com os olhos voltados para a DIFERENCIAÇÃO e garantindo a LIDERANÇA DE CUSTOS.

Interessante, é que li em alguns livros, que estes caminhos eram alternativos e excludente, ou seja, siga por um ou por outro.

Ainda bem que o equilíbrio está presente.
Boas reflexões, bons negócios.

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